segunda-feira, 21 de outubro de 2013

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * A utopia


(A utopia ou o outro lado do ser humano)





Morria cada dia um poucochinho.

Falava de amanhãs que não veria.

Em cada flor da berma do caminho

só versos de canções de amor colhia.



E lágrimas de sangue e sal vertia,

doído, quando o débil passarinho,

nas ondas de furor da ventania,

caía, em perdição, do frágil ninho.



No entardecer das horas já cansadas,

o arrimo do cajado solidário

trazia forças novas às fraquezas.



Na sedução das noites estreladas,

buscava, impenitente visionário,

além do chão, as cósmicas certezas…



José-Augusto de Carvalho
21 de Outubro de 2013.
Viana*Évora*Portugal

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