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terça-feira, 26 de abril de 2016

05 - IN MEMORIAM * Não!



Em louvor de Olga Benario Prestes
Mártir do nazismo, em 1942, com 34 anos de idade




Eles não conseguiram matar-te!

Entre as gentes sem paz e sem pão,

ao alto ergues o rubro estandarte

do teu Não!



Milenar, o teu sangue é um rio

que transborda das margens-prisão

e se espraia no mar desafio

do teu Não!



Não nos campos e não na cidade

que palpitam no teu coração

e acreditam no grito-verdade

do teu Não!






José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 26 de Abril de 2016.

*

Em Fevereiro de 1942, Olga foi executada junto com outras 200 prisioneiras na câmara de gás de Bernburg. A notícia da sua morte veio através de um bilhete escondido na bainha da saia de uma presa.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

05 - IN MEMORIAM * A vergonha de nós






Dilui-se na memória

o tempo dos algozes

que morreram na cama

que foi negada aos justos



No pó do esquecimento

há muito jaz a História

que espera o julgamento

dos carrascos impunes



No Letes da vergonha

a corrente ensanguentada

desliza para o mar

que salga os tons azuis

da utopia celeste



No chão nosso da vida

abrimos os covais

dos sonhos derradeiros

no adeus da despedida





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 18 de Setembro de 2015.

segunda-feira, 9 de março de 2015

05 - IN MEMORIAM * Brasil






Eu soube do Brasil na minha meninice,

aqui, no meu torrão de angústias e de esperas.

A minha tia-avó, no olor das primaveras,

buscara longe o sol que vivo lhe sorrisse…




Levou só orfandade e pranto por bagagem,

Que mais, madrasta, a pátria amada lhe negou.

Menina e luto em mar de medo e de coragem,

a pátria prometida um dia desposou.




E tão constante foi, menina, o seu amor,

que, pura, deu à terra amada quanto tinha.

Há quanto tempo foi? Seja o tempo que for!




Há sangue brasileiro ainda igual ao meu,

sofrendo uma saudade ainda igual à minha

de um tempo que no tempo há muito se perdeu







José-Augusto de Carvalho
Março de 2004
Viana*Évora*Portugal

quinta-feira, 5 de março de 2015

05 - IN MEMORIAM * Pablo Picasso







Dom Pablo era malaguenho,

bem do Sul da Andaluzia.

Se foi génio no desenho,

na pintura foi magia.



Deu sonho às suas Espanhas 

de gentes, lendas e cores...

Chorou, nas suas entranhas,

feridas, ódios e dores.



Em Guernica foi o grito

desmascarando os horrores

da barbárie sem perdão;



na pomba, as asas do mito

erguendo um altar de flores

à Paz, do berço ao caixão.




José-Augusto de Carvalho
14 de Janeiro de 2006.
Viana * Évora * Portugal

sábado, 23 de agosto de 2014

05 - IN MEMORIAM * O maltês




Foto internet, com a devida vénia




Só nos livros antigos encontro

a memória de ti, desencontro

do teu tempo e do meu, descaminhos

eriçados de náusea e de espinhos.



Nem existes nas vozes do cante!

Nem há vento suão que levante

tua sombra do chão, sepultada

nos caminhos de assombro e de nada.



Outros tempos --- tão velhos! --- chegaram,

porque os novos, quem sabe onde param?





José-Augusto de Carvalho
4 de Outubro de 2011.
Viana*Évora*Portugal

sábado, 22 de fevereiro de 2014

05 - IN MEMORIAM + Al-Mu´tamid




I

Quando soube de ti, 

era tarde demais 

para te conhecer! 



Quando soube de ti, 

era tarde demais 

para ouvir-te cantar!... 



Quando soube de ti, 

era tarde demais, 

tarde demais, em Beja? 




II 


Que jardins perfumaram 

a sombra enamorada 

de sonho e meio-dia? 



Que enfeitiçadas sedes 

mitigaram as fontes 

de espanto e sedução? 



Que inseguros trinados 

ensaiaram felizes 

hinos de primavera? 



Que ilusão me embriaga 

de respirar os ares 

que respiraste um dia? 




III 


Nos lábios de romã 

da doce Xerazade 

o dulçor dos teus versos… 



Os poentes de sangue 

entardecem ainda 

a tua amada Beja… 



Nas auroras de Maio, 

os campos em promessa 

da tua amada Beja… 




IV 


Enquanto houver memória 

de Vida e Poesia, 

nunca é tarde demais 

na tua amada Beja! 



Que por ti e por nós, 

assim seja, Poeta! 





José-Augusto de Carvalho 
29 de Janeiro de 2014. 
Viana * Évora * Portugal

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

05 - IN MEMORIAM * Poeta ZéFerro




A notícia chegou no poema.

Quando, em verso, se fala de morte,

há um barco buscando outro Norte

e é, no Hades, Caronte quem rema.



Só em verso se chora o desgosto

do poeta que vai de viagem.

Leva sonhos de luz na bagagem

e orvalhadas auroras no rosto.



Vai na busca dum outro poema,

mais além, nos azuis do infinito,

onde tudo é total e sereno.



Do meu chão, com olor de alfazema,

este adeus derradeiro e constrito

do meu braço a doer num aceno.





José-Augusto de Carvalho
17 de Fevereiro de 2014.
Viana * Évora * Portugal

terça-feira, 10 de setembro de 2013

05 - In Memoriam * João António Potes



Chagall, «A queda de Ícaro»
(Foto Internet, com a devida vénia)




Hoje,


morreu um homem bom. Ficou mais pobre a Vida.

Indiferente à dor e ao luto, o sol de Agosto

requeima ainda mais a minha tez curtida

e deixa-me em cristais de sal o meu desgosto.



Hoje,

apenas o silêncio eu quero por conforto.

Silêncio e nada mais. A noite vem aí,

vestindo devagar este vazio morto

de sombras e pesar. Inútil, fico aqui.



Hoje,

mais uma vez enfrento inerme o desenlace

e tudo em derredor doendo se esboroa.

O efémero é agora a vida sem disfarce:

um Ícaro a sonhar que sobe ao céu e voa!




José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 19/23 de Agosto de 2012.

Poema escrito em memória de João António Potes
(Viana do Alentejo, 19 de Agosto de 2012.)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

05 - In Memoriam * Vasco Massapina



António Vasco da Costa Carvalho Massapina
15.05.1947 - 08.12.2012





Eu já nem tenho lágrimas, Titó!

Quando chegaste, dei-te as boas-vindas!

Ah, Maio! Dias lindos! Flores lindas!

Ah, trigo de oiro ansiando pela mó!



Nos teus tentens ousados me revia.

Ganhavas as raízes naturais.

Raizes duma herança de sinais

que mais e mais, em ti, reverdecia.



Caminhos bem diversos percorremos.

Em cada um de nós um peregrino

cumprindo-se na busca a que nos demos.



E foste, na ousadia de menino,

antes de mim, sem velas e sem remos,

do transitório ao cósmico destino.





José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 29 de Janeiro de 2013.

05 - In Memoriam * Ibéria


Federico García Lorca
(Fuentevaqueros, 5 de junio de 1898
Viznar, 19 de agosto de 1936)
Foto Internet, com a devida vénia




N' Os grandes cemitérios sob a Lua,

o grito do cigano de Granada

a noite da vergonha perpetua

na dor da minha Ibéria assassinada.



Ardia o mês de Agosto. Era verão.

E a terra ensanguentada ainda jaz,

memória de um sem tempo e sem razão

que fuzilou o sonho, o verbo e a paz.



Agora, nas palavras, o tardio

consolo do clamor que repudia

o gesto da barbárie consentida.



Mataron Federico! E no vazio

do tempo sem amor e sem Poesia,

persiste, em carne viva, esta ferida.





José-Augusto de Carvalho
26 de Março de 2007.
Viana * Évora * Portugal

05 - In Memoriam * Valeriano Luiz da Silva



Valeriano Luiz da Silva




É quando as sombras descem sobre a luz

e a vida já não pode ser mais nada

que, em ânsia de infinito, tremeluz

a paz, por dor e lágrimas velada.



Aqui, por entre flores de saudade,

sublimo a perfumada nostalgia

do sonho que se quer eternidade,

em arrebois de amor e poesia.



De ti, ficou, em nós, perene, o canto,

a parte que te coube da beleza

p’lo Céu doada a todos os poetas.



Em ti, ficou, de nós, doído, o pranto

que levas, por alturas de incerteza,

nas tuas asas livres e inquietas.






José-Augusto de Carvalho
24 de Fevereiro de 2006.
Viana * Évora * Portugal

05 - In Memoriam * João Massapina


João Vicente da Costa Massapina de Carvalho
(5.12.1951 - 24.12.2005) 




Hoje, chove no meu coração. 

Uma chuva de lágrimas frias. 

Com seis tábuas se faz um caixão 

e, com flores, as horas vazias.



Para além da partida, serás, 

na saudade, a presença constante. 

Que tu ficas, ainda que vás 

para longe do adeus que te cante!



Não há luz, não há cor, não há trevas 

no vazio sofrido que levas… 

Só o frio gelado do fim.



E eu, aqui, a deixar-te sozinho,

neste término do teu caminho,

esquecido de tudo e de mim.






José-Augusto de Carvalho 
7 de Janeiro de 2006. 
Viana * Évora * Portugal

05 - In Memoriam * Miriam Yisrael


Miriam Yisrael
(Israel, 21 de Junho de 2008)





As pétalas da flor que Junho desfolhou,

cobriram de amargura as terras de Israel.

Nas margens do Mar Morto, a sombra desenhou,

com lágrimas de sal, um cálice de fel.



Nas áleas do Jardim, perene, o mito ateia

a chama que nos chama, em labaredas de ouro.

E a flor, estreme e bela, em seu candor, passeia,

na brisa do deserto, o seu cabelo louro.



À Vida, que não quis que a flor emurchecesse,

vergada pelo tempo exausto da anciania,

escrevo, neste adeus, os versos da tristeza.



Se mais um outro dia ainda amanhecesse,

serias sempre tu, em flor-policromia,

o alor da sedução do sonho e da Beleza.





José-Augusto de Carvalho
23 de Junho de 2008.
Viana * Évora * Portugal