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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

18 - NOTAS DE VIAGEM * A primeira partida



                                                       
                   













Solitária,

sobrejaz na planura inerme da evasão negada.

Contempla o Poente,

adivinhando o mergulho no pélago frio,

muito para além dos horizontes estreitos.

O vento Sul traz o grito estridente

do movimento resfolegante, rumo a Norte.

O desconforto de um arrepio

envolve a plataforma com o seu manto inquieto.

Ninguém viera deixar-me um adeus...

E era a minha primeira viagem!

Arrancadas as raízes,

ficava para trás a ternura do ninho

para sempre perdido.

O primeiro amanhecer de um dia sem arrimo

estava prestes.

Um céu sem nuvens

alardeava o desafio da amplidão.

E fui, sozinho...




José-Augusto de Carvalho
2 de Fevereiro de 2006.
Viana * Évora* Portugal

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

18 - NOTAS DE VIAGEM * Os meus passos















Mecânico é o movimento dos meus passos.

Rasguei todas as estradas

e nem sabia que fosse a rosa dos ventos!…

Nem sempre se conhece o que se procura…

O caminho é o desafio só porque é caminho.

O horizonte é a chama que chama

e desalenta a parança

do anquilosamento imóvel da pedra cravada no chão.

Caminho e no meu caminhar

demonstro que a inércia não existe.

Caminho e demonstro

que sou, nesta interminável caminhada,

o movimento da laranja azul que gira, gira, gira,

num rodopio de dança embriagada.


José-Augusto de Carvalho
27.11.2005, Viana * Évora * Portugal


***
© José-Augusto de Carvalho
© Tradução: Alberto Peyrano


Mecánico es el movimiento de mis pasos.

Atravesé todos los caminos

sin saber lo que era la rosa de los vientos!…

No siempre se conoce lo que se busca…

El camino es desafío sólo porque es camino.

El horizonte es la luz que convoca

y desalienta la demora

de la inerte parálisis de la piedra clavada en el suelo.

Camino, y en mi caminar,

demuestro que la inercia no existe.

Camino y demuestro

que soy, en esta interminable caminata,

el movimiento de la naranja azul que gira, gira, gira,

en un remolino de embriagada danza.


30.11.2005

Buenos Aires * Argentina

18 - NOTAS DE VIAGEM * Nas Rotas da Vida


















Caminheiro das rotas da vida,

guiado pelas estrelas ou à deriva nas horas de céu enublado,

bebi água nas fontes silvestres,

comi esperanças nas bermas dos caminhos evadidos,

dormi à sombra das esperas, coberto por mantas de angústia.

Encontrei portas fechadas em todas as direcções.

Vi sentinelas alerta nas fortalezas do Tempo.

Chorei as almas penadas da mendicância das preces,

sepultei as ilusões nas valas comuns do esquecimento,

colhi o desprezo astuto nos ramos da ostentação.

Vi tudo o que era feio nas rotas desta vida.

E vi como é possível aninhar as víboras geladas no calor do peito...

as víboras que insistem em envenenar os caminheiros das rotas da vida.


24.11.2005
© José-Augusto de Carvalho

                                * * *

© Tradução: Alberto Peyrano

Caminante de las rutas de la vida,

guiado por las estrellas o a la deriva en horas de nublado cielo,

bebí agua de las agrestes fuentes,

comí esperanzas en los terraplenes de los caminos evadidos,

dormí a la sombra de las esperas, cubierto con las mantas de la angustia.

Encontré puertas cerradas en todas direcciones.

Vi centinelas alertas en las fortalezas del Tiempo.

Lloré las almas en pena de la mendicidad de las oraciones,

sepulté las ilusiones en las acequias comunes del olvido,

coseché el desprecio astuto en las ramas de la ostentación.

Vi todo lo que era feo en las rutas de esta vida.

Y vi cómo es posible anidar a las víboras heladas en el calor del pecho...

las víboras que insisten en envenenar a los caminantes de las rutas de la vida.


27.11.2005 © 2005 Viana do Alentejo (Portugal) - Buenos Aires (Argentina)

18 - NOTAS DE VIAGEM * Don Ramón

Na Guerra (dita) Civil de Espanha
Miliciano (1936-1939)

Ensaiava os primeiros passos, incertos e perplexos.

Era o começo da jornada.

Na berma do caminho, jazia, sufocada, a Liberdade.

Ao longe, na Espanha ensanguentada,

Guernica esperava pelo talento de Pablo Picasso…

Federico tombava, assassinado,

porque Granada tem dois rios:

um de pranto

e um de sangue...

Dolores gritava: No Pasarán!

Mas eles passaram e a Espanha ficou viúva.

Don Ramón andou comigo ao colo.

Aqui encontrou guarida e pão sem sabor a sangue.

Don Ramón, perdoa aquele menino

que não guardou na memória

a imagem do teu rosto macerado.

Obrigado, Don Ramón, porque gravaste em meu peito,

com tinta de lágrimas,

o coração ferido da tua amada Espanha.




José-Augusto de Carvalho
14 de Dezembro de 2005.
Viana * Évora * Portugal



***


Ensayaba los primeros pasos, inciertos e perplejos.

Era el comienzo de la jornada.

En el borde del camino, yacía, sufocada, la Libertad.

A lo lejos, en la España ensangrentada,

Guernica esperaba el talento de Pablo Picasso...

Federico se desplomaba, asesinado,

porque Granada tiene dos rios:

uno de llanto

e otro de sangre.

Dolores gritaba: ¡No pasarán!

Pero ellos pasaron y España se quedó viuda.

Don Ramón ando conmigo en sus brazos.

Aqui encontró guarida y pan sin sabor a sangre.

Don Ramón, perdona a aquel niño

que no guardó en la memoria

la imagen de tu rostro macerado.

Gracias, Don Ramón, porque grabaste en mi pecho,

con tinta de lágrimas,

el corazón herido de tu amada España.



Francisco Javier Fontalva 
Málaga, España, 11. Abril. 2012

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

18 - NOTAS DE VIAGEM * A mão esquerda de Camões...























A mão esquerda de Camões é que me guia.

Poeta e vagamundo,

icei-me ao cesto da gávea.

Além de tanto mar, de tanto céu,

tentei enxergar morenas terras de Espanha

areias de Portugal.

Parti na busca ousada de mim.

Abri estradas molhadas de lágrimas

e vestidas de saudade e de escorbuto.

Entrevi, no manso marulhar, apenas a sedução

da sereia desnudada na brancura de noivar

de mantos de espuma e mito.

Perdido de mim na descoberta do mundo,

já não há morenas terras de Espanha

areias de Portugal.

Além de tanto mar, de tanto céu, só esta lenda de mim...


José-Augusto de Carvalho
Viana*Évora*Portugal


       ***


La mano izquierda de Camoens es mi guía.

Poeta y vagabundo,

me icé al cesto de la gavia.

Más allá de tanto mar, de tanto cielo,

intenté divisar morenas tierras de España

arenas de Portugal.

Partí en busca osada de mí.

Abrí rutas mojadas de lágrimas

y vestidas de nostalgia y de escorbuto.

Entreví, en el manso oleaje, apenas la seducción

de la sirena desnuda en la blancura del noviazgo

de mantos de espuma y mito.

Perdido de mí en el descubrimiento del mundo,

ya no hay morenas tierras de España

arenas de Portugal.

Más allá de tanto mar, de tanto cielo, sólo esta leyenda de mí...



(Traducción: Antonio Alfeca)

António Alfeca é um poeta andaluz , a quem devo a honra de me ter traduzido.