quarta-feira, 23 de outubro de 2013

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * E esta fé!...




Hoje, um manto de nuvens cinzentas

anuncia o dilúvio aos gentios.

E sem barca, ai de nós!, que tormentas

no devir de fatais desvarios!...



E de pombas, no céu, nem sinal!

É de sombras a noite que cai!

Que profano juizo final

tão distante do Monte Sinai?



E esta fé, o que faço com ela,

se a distância que mal adivinho

das cortinas da minha janela

só de nada atapeta o caminho?



Do delírio dos cravos em festa,

o que resta? O que resta? O que resta?





José-Augusto de Carvalho
4 de Junho de 2008.
Viana * Évora * Portugal

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