sábado, 9 de maio de 2015

11 - QUE VIVA O CORDEL! * Romagem

QUE VIVA O CORDEL!

Romagem







De tribo em tribo, vou, humilde peregrino.


E tudo em derredor são sombras e armadilhas.

Um bobo impertinente exibe o desatino,

a turba exulta e faz do reles maravilhas...



Medíocre insecto arenga, em sórdido arreganho.

Casaca a condizer, as asas coloridas.

Asneiras que lhe inveja o néscio em seu tamanho.

E aqui não há ninguém que venda insecticidas!...



Humilde sou e humilde eu quero assim manter-me.

Traído o seu intento, o verbo foi em vão.

Não é inteligente equiparar-me ao verme.

Humilde, sim, serei, mas sem humilhação.



Paguei o preço até ao último centavo.

Ingénuo, e em dor, senti do fel o amargo travo...







José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 8 de Junho de 1997.

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