segunda-feira, 4 de maio de 2015

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * As noites de mim







Nas noites de mim, adormeço cansaços

das terras, dos mares da minha ansiedade.

E, neste abandono, sossego os meus passos

na paz sossegada que cai e me invade.




O vento baloiça o meu berço de pinho

e traz-me as cantigas do rei Dom Dinis:

murmúrios e trovas, incerto o caminho

de dúvida e medos que ousado desfiz.




Fui lenho, fui vela, fui leme, fui rumo...

Fui rei, fui senhor, fui herói, fui injusto...

De tudo o que fui, só as cinzas e o fumo

se lembram de mim, quantas vezes a custo...




Mudaram os tempos e os seus paradigmas!

Com novas roupagens, os mesmos estigmas!






José-Augusto de Carvalho
11 de Novembro de 2003.
Várzea, São Pedro do Sul

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