quinta-feira, 23 de junho de 2016

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * Os meus dias lindos





Há dias lindos, quando esqueço tudo e sou

apenas um olhar morrendo na lonjura.

E sinto-me o pintor que em êxtase fixou

os impossíveis tons da cósmica tontura.



E neles não sou eu nem outro alguém qualquer.

Apenas uma fresta aberta na muralha

sedenta a mendigar o pouco que puder

da pura luz que o céu por sobre a Terra espalha.



E quando o transe finda e a vida me fustiga,

eu sinto-me suspenso e baloiçando ao vento

até me diluir mortinho de fadiga.



Bendito o meu olhar que assim de mim se afasta!

Que simbolismo traz o meu encantamento

de me ausentar de mim, de me gritar já basta?





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 23 de Junho de 2016.

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