sábado, 23 de janeiro de 2016

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * O sonho impossível



Havia nele um sonho por nascer.

Um sonho que sofria e lhe doía.

Um rasto só de estrelas a correr

que cada amanhecer lhe desfazia.



Só quando as noites eram de luar

ou quando as nuvens todo o céu cobriam

o sonho consentia se ausentar.

E nele astros e céu também dormiam.



Ausente o sonho, o sono lhe tardava.

Da sua insónia a dúvida suspensa.

Ah, que obsessivo sonho o assaltava?



Naquela derradeira noite, o frio

doía-lhe na alma, frio intenso!,

e adormeceu nos braços do vazio.



José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 11 de Janeiro de 2016.

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