segunda-feira, 24 de abril de 2017

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * A porfia


Foto Internet, com a devida vénia




Maquinalmente, vens, cumprindo calendário.

Não trazes, estelar, o brilho promissor

daquela antemanhã que abria o relicário

de um ledo madrugar de espanto e de rubor.



E nem nos trazes hoje o fogo a crepitar,

em ritos de carmim, do sonho a florescer

nas áleas do jardim que ousámos inventar

em horas de aflição e morte a acontecer.



Apenas vens nos ver, assim desfigurado, 

cinzento na nudez do desamparo triste, 

mas vivo a resistir o sonho que em ti mora.



E nós dizendo não a este bailar mandado,

seremos sempre em ti o sonho que persiste

até que sejas, vivo, o nosso outroragora!





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 24 de Abril de 2017.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Procuro ser uma pessoa honesta. Não será bem-vindo a este espaço quem divergir desta minha postura.