quarta-feira, 2 de agosto de 2017

28 - CLAVE DE SUL * Ansiedade







De um manto de papoilas nasce o canto.

E sangram as palavras, sangra a voz.

Maduro canto que do chão levanto

p’ra vir cantar na voz de todos nós.



Um canto antigo de polifonia

que vem da mais recôndita raiz,

no canto matinal da cotovia,

dizer-nos o que mais ninguém nos diz.




No céu, ateia incêndios de futuro

a luz da antemanhã que se aproxima.

E eu, numa instante azáfama, procuro,

p’ra cada verso, a mais ardente rima.



Amado berço, minha vela ousada,

que te demora o sonho da largada!





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 1 de Agosto de 2017.



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