quarta-feira, 7 de setembro de 2016

15 - CANTO REBELADO * Catarse (3)




Não há porto de mim por achar.

Da distância que as velas venceram

só as quilhas na areia a varar

choram naus que no mar se perderam.



A distância de mim desvendada

é de terra e de mar, é de estrelas,

é de mãos estendidas no nada

sempre e sempre querendo colhê-las.



Neste chão, neste mar há os rastros

que doridos gravaram em mim

lucilares de angústias e de astros

de procelas e névoas de fim.



E porfio e suporto o cansaço

porque eu sou o que faço e não faço.





José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 5 de Setembro de 1996.
Alentejo, 7 de Setembro de 2016.

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