sábado, 16 de julho de 2016

10 - CANTO REVELADO * Catarse -2




Quando desço aos infernos da existência,

o Inferno existe.

Caim matando Abel. Caim que insiste,

numa insistência

verídica do mítico que existe.

Sem asas e sem corda e sem escada,

subir não pude nunca ao Paraíso.

Não falo de anjos nem da luz sagrada,

só falo do que sei, do que preciso,

de mais nada.

Apenas sou, aqui, no chão que piso,

o animal acossado que resiste.

No fim chegado, com ou sem aviso,

o quanto sou, o quanto em mim existe,

partícula será do chão que piso.

Nem alegre nem triste,

assumo inteiro a minha condição

de efémera ilusão

de ser além do meu amado chão que piso.




José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 16 de Julho de 2016.

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