segunda-feira, 18 de abril de 2016

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * Nocturno





Quem sepulta os tesouros perdidos

da nossa identidade?

Ouço os gritos, na noite evadidos,

quando a luz do luar,

mortinha de saudade,

vem beijar

os jardins da cidade.



Ouço as fontes, chorando

o silêncio que tudo calou.

Não há lágrimas nem níveas flores

na saudade de nós que ficou

recordando,

num rosário de dores,

quanto o fim sepultou.



Só o pó, que se evola nos ares,

diz que não, que é mentira este fim!

Que os cantares

perfumados de lírios

e alecrim

vão doendo os martírios

que nos querem sem voz,

sem a voz

a gemer que está dentro de nós.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 18 de Abril de 2016.



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