quinta-feira, 2 de outubro de 2014

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * Malmequer/Bem-me-quer




Como se fosse um frágil malmequer,

meu peito despetalo sem perdão.

Doendo, em sangue, digo: bem-me-quer…

E a pétala, ferida, cai no chão.



E prosseguindo, digo: mal-me-quer...

Que sinto e quero assim em provação?

Inalo este perfume que me fere

num rito fantasmático e pagão.



E despetalo todo o malmequer.

Um manto agonizante cobre o chão.

Não mais nem malmequer nem bem-me-quer.



A tarde cai. Na mansa viração,

que aveludado afago de mulher

enxuga o pranto do meu coração?





José-Augusto de Carvalho
2 de Outubro de 2014.
Viana * Évora * Portugal



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