terça-feira, 6 de maio de 2014

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * O dia





Empalidece já o setestrelo,

abandonado, num delíquio casto.

Esvai-se num apelo,

sem queixume nem rasto.



A cotovia ensaia os seus trinados,

sorrindo madrigais de amanhecer,

azuis enamorados

de anseios por arder.



Os frescos arrebois primaveris

afagam a verdade da nudez

em transes juvenis

de afogueada avidez.



No incendiado azul do meio-dia,

a vida em seu pulsar se determina

quando beleza cria

com tons de tremulina.



E eu, contrafeito, fico-me, hesitante…

Que mais terá a vida de ensinar-me,

quando não me é bastante

este grito de alarme?





José-Augusto de Carvalho
5 de Maio de 2014.
Viana * Évora * Portugal




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