quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Política


Todos sabemos que a palavra política significa o governo da cidade.

Dos gregos nos chegou.

E governar a cidade é zelar pelos interesses dos cidadãos. Assim sendo, não é de mais falarmos de política e atentarmos no que fazem e não fazem aqueles que elegemos para determinarem os caminhos mais adequados da nossa vida colectiva.

Eleger é votar e votar é escolher, logo todos nós assumimos a responsabilidade de confiar o Poder (o governo da cidade) a alguém; e esse alguém escolhido por nós assume a responsabilidade de honrar a escolha cumprindo os objectivos propostos.

Considerando que isto é tão claro, daqui partiremos para ver o que se passa,
para entender o porquê do que se passa e para decidir se o que se passa nos convém e é justo, porque...

... Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

(Artigo 1º. da Constituição da República Portuguesa)


Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
7 de Julho de 2012.
Alentejo*Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Do relativismo



Quando planeias por um ano, 
semeias o grão;

Quando planeias por dez anos, 
plantas árvores;

Quando planeias por uma vida inteira, 
formas e educas as pessoas.


Provérbio chinês.

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Ventos




Quando os ventos de mudança sopram,

umas pessoas levantam barreiras,

outras constroem moinhos de vento.


Érico Veríssimo
Escritor brasileiro do Estado do Rio Grande do Sul

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Eles


Eles!... Quem não se lembra de ser assim que o Povo se referia aos governantes do autoproclamado Estado Novo? A utilização deste artigo pessoal forma de sujeito revelava a sua recusa evidente a tratar pelos nomes os governantes de então.

Eram outros tempos, só vividos pelos mais velhos. Hoje, a maioria da população não era nascida ainda ou seria nova de mais para ter consciência daquela realidade.

A História daquele regime está feita, por isso não me irei deter na narração de episódios que vivi ou de que tive conhecimento em tempo real. Apenas me importa referir, agora, o regresso do eles. E tal regresso corresponderá ao desagrado que o Povo manifesta pelos governantes.

Hoje, Portugal vive em Democracia. O Povo tem liberdade de expressão e escolhe livremente os seus governantes desde a Junta de Freguesia à Presidência da República. É uma democracia limitada, todos nós o sabemos, porque há objectivos ainda não alcançados -- o direito pleno à Saúde, ao Trabalho, à Habitação, a uma vida digna e sustentada, à Justiça, à Segurança, etc.

Ora não é a democracia limitada que vivemos hoje que desagrada ao Povo, mas a perda da esperança de que a situação evolua de democracia limitada para democracia plena.

E esta perda de esperança é agravada por situações outras, as quais a Imprensa vai noticiando, reveladoras de que algo vai mal ou, quando menos, não vai bem. E estas notícias ferem gravemente a Democracia, quer quanto à imagem, quer quanto à credibilidade enquanto regime eleito pelo Povo e para o Povo.

Todos sabemos que o Povo anseia por transparência a todos os níveis e que reage negativamente quando entende que essa mesma transparência não se verifica. Poderá argumentar-se que nem sempre o Povo bem ajuíza. Poderei conceder que assim seja, mas, quando tal assim se entender, o recurso ao esclarecimento é o caminho a seguir. O Estado de Direito não é uma farsa nem uma abstracção, é uma realidade digna e concreta e um objectivo civilizacional de homens livres.

Convirá que os governantes recuperem a identidade, recusando a designação de eles e o anátema de eles são todos iguais. Mais, é urgente que os governantes se assumam na diversidade das suas propostas e assim garantam ao Povo as inequívocas opções nas escolhas que tem o direito e o dever de fazer em cada acto eleitoral.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
10 de Julho de 2012.
Alentejo * Portrugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Os arrependidos


É-me sempre penoso ouvir ou ler os arrependidos.

Tenho o desprazer de conhecer alguns. Quem não os conhece, afinal? Destilam ódio quando falam ou escrevem, ódio de si mesmos, pois falam de um passado que assumidamente viveram. Obstinadamente, denigrem as causas que abraçaram e de que se afastaram ou de que foram afastados.

Comprazem-se em relatar episódios ou situações, mas sempre em condições de não poderem ser contraditados. Falam dos outros, esquecendo que ao tempo eram parte integrante desses outros, obviamente com as mesmas responsabilidades. E a denúncia não os absolve, se é que carece de absolvição o que dizem e/ou escrevem, desde que conforme com a veracidade e o rigor.

Claro que a praga dos arrependidos é de sempre. Como é de sempre o apetite conveniente por ouvi-los ou lê-los.

Outrossim é claro que grassa por aí um jornalismo que divulga ou dá voz aos arrependidos sem buscar a elementar comprovação do que permite seja propalado. E assim é conivente no lodaçal da delação.

É que a questão não passa pela denúncia. Passa sempre, evidentemente, pela queixa formal a quem de direito. Para tanto, bastará, ao que suponho saber, uma carta à Provedoria Geral da República ou à Polícia Judiciária. São estas Entidades Oficiais da República que averiguam as iniquidades e depois as remetem a Juízo.

Vivemos, desde a vitoriosa Revolução dos Cravos, num Estado de Direito.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 10 de Agosto de 2012.

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Para meditar


13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Burocracia


Burocracia, palavra que nos vem do francês e que poderemos traduzir por força ou poder dos gabinetes. Chegamos lá desta forma: bureau (secretária, escritório, repartição, ministério, junta, estabelecimento público, em francês) e krateía (força, em grego).

Desde há muito, não sei precisar, a palavra burocracia ganhou o significado depreciativo de sistema de rotinas e formalismos de secretaria. Ousemos, de forma livre, entender a burocracia como um modo de agir desligado das múltiplas perspectivas de apreciação que uma realidade dada exige ou poderá exigir.

Algumas vezes, a burocracia cai em situações que poderemos, numa caricatura, definir como um pé ter de se adaptar à forma dum sapato e não, como é óbvio, o sapato ter uma forma adequada para esse mesmo pé. Todos nós, alguma vez, certamente, vivemos ou tivemos notícia deste absurdo.

Evidentemente que a burocracia, no significado corrente que lhe vimos dando, decorre não só da adopção da rotina como sistema de actuação como também da impreparação que encontra defesa nessa mesma rotina.

Já nos recordava Camões, em oportuno soneto, no século XVI:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Quanto antecede, remete-nos para a urgência de quem governa dever estar sempre em permanente sintonia com as aspirações das populações; e se não puder ou não souber agir assim, colherá o fracasso da sua acção e o repúdio dos que quis governar.

Finalizando: se o Poder emana do Povo, como pode o Poder exercer a sua acção ignorando o Povo ou governando contra o Povo?

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
15 de Agosto de 2012.
Alentejo * Portugal