quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Os meus textos

Os meus textos não têm destinatários preferenciais.

Tempos houve que sim, que almejava ser lido por esta ou aquela pessoa. Foi o tempo romântico, que já lá vai, há muito. Desses caminhos, juncados de flores de utopia adolescente, restam pétalas secas e ressequidas. E uma saudade imensa da inocência perdida.

Hoje, escrevo para mim, como se fosse um diário. É certo que, neste blogue, publico os meus textos. E não menos certo é que tenho leitores, quase sempre amigas e amigos. Amigas e amigos que me criticam e me incentivam a não ficar calado. Outros há que me falam deste ou daquele assunto. E quando lhes digo já ter escrito sobre e publicado no blogue, logo me dizem que não me leram por absoluta falta de tempo. A falta de tempo é uma praga. Claro que antes falta de tempo do que falta de ar. Se assim não fosse, lá ficaria eu mais pobre ainda. Claro que ouço e calo. Não tenho por que me melindrar. Só me lê quem quer. Verdade que alguns, raros, me foram ler, depois.

Como disse, ajo como se estivesse escrevendo um diário. E, quantas vezes, me leio e releio! Ora por desfastio, ora para recordar algumas situações. E como sempre sucede com quem escreve, dou comigo a corrigir mentalmente, aqui e ali, o texto já escrito e divulgado. E isto porque, como salientou o grande poeta espanhol António Machado, «o caminho faz-se caminhando» … Nada é definitivo e ainda bem.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
18 de Junho de 2013.

 Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Controvérsia?

Há muitas situações que resistem não pela sua bondade mas por nos termos habituado a elas, derivando desta habituação a sua permanência. Sabendo embora que provocarei controvérsia, haverá que agir com determinação e extirpá-las.

Na toponímia, encontramos algumas dessas situações. Há quem sustente que a substituição na toponímia corresponderá ao apagar da História. Discordo. A toponímia tem a finalidade de homenagear e só se homenageia quem merece. E com certeza que este merecimento poderá ser efémero ou prolongado no tempo, tudo dependendo sempre dos pressupostos que se vão considerando mais adequados. O objectivo da História é outro.

O Poder Político tem quase sempre a fraqueza de homenagear os seus correligionários, numa óbvia perspectiva de facção. Se é verdade, e a História atesta-o, que a vida socio-política é uma sucessão de facções no Poder, não é menos verdade que há figuras acima das facções. Há figuras de todos os tempos merecendo a nossa homenagem, ainda que, aqui e ali, possamos discordar do seu pensamento ou da sua acção.

Outras situações há de evidente inadequação, quer pela sua irrelevância relativa, quer por estranhas à nossa realidade concreta.

Além de figuras pacificamente aceites como nacionais ou internacionais, sustento que cada região (e até cada povoação, por que não?) terá o dever de homenagear a sua gente.

Porque assim entendo, é com mágoa que verifico a ausência de homenagem toponímica de figuras do Alentejo, de cada município e de cada uma das suas freguesias.

Algumas dessas figuras, falecidas há muito, terão caído no esquecimento. Mau caminho é o da perda da memória!

Quero crer que os boletins municipais deveriam encarregar alguém para tanto habilitado de avivar a memória do colectivo, trazendo da penumbra dos tempos as figuras que, pela sua acção, mereçam ser recordadas colectivamente. E, depois desse trabalho, ser ponderada a homenagem toponímica.

Neste como em todos os demais trabalhos que subscrevo, limito-me a usar de um elementar direito de cidadania – o direito de ter e de exprimir opinião.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
18 de Agosto de 2012.
Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Serviço Público



RADIOTELEVISÃO DE SERVIÇO PÚBLICO

Manual das melhores práticas



Independência editorial
Universalidade
Diferenciação
Diversidade
Informacão Imparcial
Educação/Instrução
Conhecimento
Coesão Social
Cidadania
Responsabilidade
Credibilidade



Editado por Indrajit Banerjee




Afinal, quem tem dúvidas sobre o que seja

o serviço público que a RTP deverá ter?

Não andará aqui rabo escondido com o gato de fora?

/

José-Augusto de Carvalho
29 de Agosto de 2012.
Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * A nostalgia do chefe


Vem de longe a nostalgia do chefe. Hoje, prefere-se usar a palavra inglesa leader ou a sua forma aportuguesada – líder. E é sempre olhada com desconfiança a alternativa da acção partilhada, na assunção, aliás sábia, que nos vem da parábola dos vimes.

Esta nostalgia será reveladora das reminiscências do mito da orfandade?

Ou decorrerá de séculos de menoridade?

Numa retrospectiva histórica, encontramos situações em que o Povo é usado para objectivos que lhe são estranhos; e outras em que, agindo embora como força motriz, cede a orientação a quem não se rege por propósitos iguais ou afins. E tal sempre ocorreu porque foi ludibriado ou porque assume uma incapacidade de se impor, incapacidade que não terá no todo ou em parte. Ora ceder a orientação é aceitar a chefia ou a liderança de outrem.

Historicamente, o Povo foi sempre a parte insignificante da dita civilização. As classes dominantes mimoseavam-no com epítetos degradantes: ralé, arraia miúda, gente baixa, e por aí…

A cidadania ou, melhor, o que se entendia por cidadania, era privilégio recusado ao Povo.

O grande poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956) fixou de forma exemplar o que eu canhestramente tento dizer. Aqui fica, com a devida vénia:



Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China, para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Índias.
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou, Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos.
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias!
Quantas perguntas!


(Tradução do Professor Doutor Paulo Quintela)


É urgente, é inadiável assumirmos os nossos direitos e os nossos deveres.

Hoje e sempre!



José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 6 de Setembro de 2012.

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Reflexão


Vai distante o tempo em que tínhamos dificuldade na divulgação do nosso pensamento. Poucos tinham acesso a uma coluna de jornal. Hoje, a internet permite-nos ultrapassar facilmente essa dificuldade do passado. Só não tem um blogue quem assim decidir. Evidentemente que um blogue coloca-nos o mesmo problema antigo de uma folha de papel em branco: que escrever e para quem escrever?

Efectivamente, escrever é comunicar. E só há comunicação quando se é lido. Outra vantagem do blogue é a interacção: os comentários dos leitores são a prova provada de que se foi lido. E, aí, o autor do texto estará em condições de avaliar qualitativamente a interacção conseguida.

Outra vantagem acessória do blogue é o contador de visualizações. É importante, pois há muitos leitores que não comentam o que lêem.

Claro que há comentários e comentários, daí o blogue permitir a aprovação dos comentários recebidos. Há quem conteste o direito de aprovação de comentários. Inclusivamente, há quem considere este direito um acto de censura. Não subscrevo esta opinião, designadamente depois de ter lido insultos e desaforos que só colocam mal quem os subscreve. Pior ainda quando são anónimos. O anonimato é uma praga que invadiu os blogues onde se dispensa o direito de aprovação dos comentários.

Quem escreve tem o direito de expressar o seu pensamento; quem lê tem o direito de apreciar o que leu e de manifestar concordância ou discordância, mas sempre com a civilidade consentânea com o princípio que dispõe ser o respeito que devemos a nós mesmos o que determina o respeito pelos outros.

Hoje, a internet permite o diálogo entre pessoas fisicamente muito distantes entre si. Aliás, esta possibilidade já havia chegado com o telefone, no século XIX, mas jamais com a abrangência que a internet possibilita. Esta possibilidade, que tenho aproveitado e muito preciosa tem sido, quero crer que seja um dos caminhos a percorrer na intenção de cotejarmos princípios e valores. A Humanidade é só uma, o planeta é só um. Se bem nos entendermos, a caminhada será mais fácil e a Vida agradecerá.

Até sempre!
José-Augusto de Carvalho
11 de Setembro de 2012.
Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Considerações cívicas


Na minha modesta intervenção cívica, sempre me inseri na força do colectivo, bem ciente da verdade que encerra a parábola dos vimes.

Acredito na decisão que decorre do confronto das perspectivas várias que se nos deparam quando analisamos um problema e buscamos solucioná-lo racionalmente.

Muitas vezes, foi vencida a perspectiva que apresentei; algumas vezes, saiu vencedora. Nada de importante, porque estava em causa encontrar uma solução e não a alimentação estreita de um qualquer ego igualmente estreito.

Ultrapassei barreiras, algumas com a satisfação do dever cumprido; outras com a recusa de enveredar por caminhos que não são nem nunca foram os meus.

Hoje, remetido ao meu cantinho doméstico, vejo com apreensão o presente e o futuro, tal como vi apreensivamente o passado mais ou menos recente. Muito se poderia ter feito e não se fez; muito há a fazer e não consigo vislumbrar condições para cooperar.

Hoje, campeia a presunção de vencer eleições. Para quê? A resposta das populações é visível no seu desencanto e no seu afastamento da res publica.
 
Bastará atentar no partido das abstenções e no partido dos votos em branco e dos votos nulos, ambos em crescimento preocupante.

Onde estão as propostas construtivas e credíveis para erguer colectivamente uma estrutura social sustentada e sustentável e com as garantias possíveis de progressão quantitativa e qualitativa?

Onde está a recusa de rendas e prebendas ao arrepio duma situação deplorável de baixos rendimentos, de carências sociais degradantes?

Onde estão as acções supletivas, privilegiando o fundamental e preterindo o acessório?

Até sempre!


José-Augusto de Carvalho
12 de Novembro de 2012.
Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Se...


Se eu me apresentasse a sufrágio, três interrogações me colocaria:

1ª.- Serei eu um candidato esperado pelos meus concidadãos?

2ª.- O que esperarão de mim os meus concidadãos?

3ª.- O que poderei prometer (para cumprir) aos meus concidadãos?




Depois destas interrogações, outras três me colocaria:

1ª.- Que colectivo irei eu integrar?

2ª.- Quais os recursos disponíveis para ponderar o êxito da tarefa?

3ª.- Quais os recursos outros a desenvolver?



E depois destas, ainda mais cinco interrogações me colocaria:

1ª.- Que prioridades exige a população?

2ª.- Que necessidades mais urgentes a debelar?

3ª.- Como motivar a população para participar no seu bem-estar?

4ª.- Como motivar a população para o desenvolvimento da comunidade?

5ª.- Como motivar a população a participar na "res publica"?



Uma candidatura é um desafio. E desse desafio é parte maior a entrega sem limites ao dever de servir e de cumprir.

Uma candidatura pressupõe ainda a existência de um projecto, o qual determina, para além da gestão corrente, a criatividade, o desenvolvimento, o rigor na defesa da identidade colectiva e a superação do Presente rumo ao Futuro.

Assim seria se eu me apresentasse a sufrágio.

Será uma hipótese remota, mas a Vida ensina-nos a nunca dizer nunca.

Hipótese seguramente remota porque nem eu luto por isso nem os meus concidadãos; mas esta realidade objectiva não poderá jamais impedir-me de expressar o que penso, hoje, e o objectivo por que me bateria.

Até sempre!


José-Augusto de Carvalho
18 de Novembro de 2012.
Alentejo * Portugal