terça-feira, 31 de janeiro de 2017

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Memorial


A grande questão que se nos coloca é por onde começar. 


As situações que se nos deparam são várias. 

Graduar as prioridades não será tarefa fácil porque divergem as perspectivas de análise e graduação. Ora porque assim é, decididamente será preferível ir abordando as situações, não ao acaso, mas como elas nos ocorrerem. E sem preocupação de interesses outros que não os da cidadania, estes, sim, os únicos que nos movem. 

Não buscamos prebendas nem aplausos.

Aprendemos a viver com pouco; deixamos os aplausos para os que se exibem em palanques.

Não diremos nada de original. Lá diz o rifão que nada de novo há sob o sol. Apenas nos limitaremos a salientar o que foi soterrado, designadamente valores e bom-senso.


Entre diversas lacunas, salientamos, agora, a de um memorial dos filhos desta terra que deram a vida por causas ponderáveis ou não. Falamos dos mortos na I Grande Guerra e na Guerra Colonial. Falamos de cidadãos que foram chamados a intervir em conflitos. As causas que os provocaram já foram ajuizadas pela História.

Considerando que Viana é sede de município, a lacuna referida será semelhante nas povoações de Aguiar e Alcáçovas, exactamente porque integram este município. 

Trata-se duma homenagem devida e consensual, evidentemente. 

É muito séria a decisão que provoca o derramamento de sangue. 

Da reparação de tamanho dano, falamos da perda de vidas, as entidades públicas ajuizarão. Para tanto (também) servem. 

A bem da justeza, oxalá que bem ajuízem.

Até sempre!


José-Augusto e Carvalho
2 de Abril de 2012.
Viana*Évora*Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * O Largo (dito) de São Luís


Todos sabemos que os espaços urbanos públicos exigem embelezamento e que muitos são, por definição, áreas de convívio das populações em suas horas de lazer.


Aqui, em Viana, um espaço que poderemos, sem favor, qualificar de nobre é o Largo de São Luís.

Encostado à muralha Sul do Castelo, logo um espaço soalheiro, nada tem que o dignifique. E é uma pena.

Também a sua designação toponímica dará que pensar. São Luís? Certamente São Luís de França, rei gaulês que morreu no Norte de África, ao tempo das Cruzadas. 

O porquê desta homenagem estará por justificar. 

Melhor seria, opino eu, ser Largo Dom João II, o Príncipe Perfeito por vontade do Povo e que comprovadamente muito apreciava esta vila. 

Ora pois, rever a toponímia, alindar devidamente o Largo, inclusive com um busto deste monarca, seria obra a exigir parco dispêndio.

Aqui ficam o reparo e a sugestão.

Até sempre!


José-Augusto de Carvalho
12 de Dezembro de 2011.
Viana * Évora * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Carta de longe (2)


Pergunta-me, na sua carta sob resposta, o motivo por que tanta gente anda alheada. Pois é, não havendo efeito sem causa, será indispensável saber o porquê do alheamento que grassa por aí.

Sabemos que há muitas perguntas e poucas respostas, mas este tempo é deveras um tempo de perguntas, mais exactamente, um tempo de interrogação.

Ora, este tempo assentará numa crescente perda de valores. Estaremos numa encruzilhada? Talvez. Tal como os impérios têm as três fases clássicas -- ascensão, apogeu e queda, também a sociedade terá o ímpeto, o auge e a decadência. O ímpeto será a construção; o auge, a fruição; a decadência, o fim do ciclo.

A fase do ímpeto caracterizar-se-á pela entrega empenhada, onde todos são indispensáveis e concertados num todo conforme as suas capacidades; a fase da fruição será a satisfação pelo êxito obtido; a decadência será a fase da penalização de quem não percebeu que a efemeridade do presente exige que se prepare o futuro, incessantemente.

Consumada a decadência, outro ímpeto se impõe. Para lhe dar corpo e vigor, de novo se impõe a entrega empenhada, onde todos são indispensáveis e concertados num todo conforme as suas capacidades. E quando obtido novo êxito, que seja comedida a fase da fruição e incessantemente preparado o futuro, prevenindo a fase da decadência, porque esta sempre estará à espreita.

Meu Amigo, os responsáveis pela decadência não são as vítimas da jactância e da irresponsabilidade no Poder. Certo?

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 3 de Agosto de 2013.

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Carta de longe (1)


Amigo, de longe escrevo estas linhas.

Chegaram-me as suas notícias e só acredito no que li porque o meu Amigo as subscreveu. Eu sei que todo o tempo é composto de mudanças. Quem o não sabe?

Comecemos pelos jovens. Naquele tempo, eram protegidos e acarinhados. Eram o Futuro e o Futuro prepara-se. Sabíamos que a impetuosidade e a inexperiência não eram atavios apropriados. Ser arguto e experimentado aprende-se. Todo o mestre começou por ser aprendiz; e aprendiz que se preze irá além do mestre. E assim é porque o saber não é uma rotina mas um processo de progressão sustentada.

Diz-me o Amigo que houve alterações e que os jovens corrigirão os erros enquanto progridem. Não conhecia estas novas artes da progressão. E, deixe-me dizer-lhe, não creio que se haja mudado para melhor. E por aqui me fico. Mais tarde, me dirá. Mais tarde, quando for o tempo da safra; agora, é o tempo da sementeira.

Quanto à empresa, recordo-lhe que semear ilusões é diferente de semear a esperança. Da primeira sementeira colherá apenas a frustração; da segunda colherá a certeza de que quem porfia sempre alcança.

Motivos ponderáveis trouxeram-me para longe. Não foi uma escolha, foi uma decisão imposta pelas circunstâncias. A vida é o que é e nunca será o que gostaríamos que fosse.

O caminho é sempre fértil de encontros e desencontros, mas chegarão os caminheiros que resistem ao cansaço e ao desalento. É da Vida e a História comprova-o. Por isso, espero e desejo que persevere, sem desfalecimentos.

Até sempre!

Abraço.

José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 30 de Julho de 2013.

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Hora política


Andam por aí uns quantos reclamando que a Constituição da República Portuguesa carece de revisão. 

Até eu concordo, a bem do primado da Lei e da Democracia.

Aos doutos reclamantes proponho esta alteração fundamental, a ser referendada, de modo deliberativo e não consultivo, a fim de que o Povo sem voz se pronuncie de vez:

Artigo - Todos os governantes, seja Poder Central, seja Poder Regional, seja Poder Local, cumprirão escrupulosamente os seus programas sufragadas pelo Povo Eleitor.

Único – O incumprimento total ou parcial sem justificação inequívoca provocará a sua destituição pelo Tribunal Constitucional, com efeitos imediatos, e a convocação de novo acto eleitoral.

Vamos a isto?



José-Augusto de Carvalho
4 de Janeiro de 2014.
Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Tempos difíceis


Nestes tempos que vivemos, os acontecimentos que nos desgostam e/ou nos indignam sucedem-se a um ritmo avassalador.

Sei que é recorrente esta afirmação, mas nem sempre há a predisposição para o silêncio. Como diz o velho rifão: Um homem não é de ferro!

Vivemos tempos difíceis!

Vivemos tempos difíceis, fundamentalmente devido à acção despudorada do Homem.

Em todas as latitudes, há violência: a violência da fome; a violência da carência; a violência da intolerância; a violência do esbulho; a violência dos conflitos armados; a violência dos jogos obscenos de poder e de opressão.

Hoje, os telejornais abrem, via de regra, com notícias de desgraça, de desprezo pela Vida, de insulto e humilhação.

Vivemos tempos difíceis!

A globalização da desumanidade e da infâmia é a realidade de todas as horas.

E se é verdade em termos globais, adentro do nosso pequeno mundo também as coisas não irão melhor.

Hoje, pessoa amiga visitou-me para me dar a notícia da morte de alguém que bem conhecíamos. Este facto não motivaria a redacção de qualquer texto. Afinal, morrer é a consequência natural de qualquer ser vivo. A Morte vive connosco. É a única certeza que temos nesta vida!

O que motivou estas linhas foi constar que a pessoa morreu há três ou quatro dias e só ontem se ter sabido.

Esta funesta ocorrência levanta a interrogação: os Centros de Saúde, as Juntas de Freguesia, as Câmaras Municipais não têm sinalizadas as pessoas em risco, designadamente as que vivem sozinhas?

É com desgosto e indignação que vivo estes dias de desumanidade e violência.

Li, há anos, um texto de autor brasileiro, cujo nome não recordo, no qual, uma personagem dizia: «Se o mundo é isto, parem o «bonde» (carro eléctrico), porque eu quero sair.»
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José-Augusto de Carvalho
3 de Setembro de 2014.
Alentejo * Portugal

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * O candidato


A reflexão que o leitor lerá a seguir decorre de uma casualidade, casualidade relevante, porque me permitiu alinhavar estas considerações, que partilho.

Ouvi, há dias, um diálogo curioso. Não cometo nenhuma inconfidência ao referi-lo, porque ocorreu em lugar público e sem qualquer indício de sigilo. Nem o tema era merecedor de recato.

O tema em discussão era definir o perfil de um candidato a um cargo directivo. Como bem se compreende, tema importante; e a preocupação igualmente compreensível.

É importante o perfil de um candidato e não menos importante é votar num candidato com perfil ajustado à função a que se propõe.

O interessante do diálogo era a preocupação incidir sobre a popularidade do candidato a encontrar. Em boa verdade, não foi manifestada preocupação pela capacidade.

Este meu reparo coincidirá com algumas observações habituais de muitos eleitores sobre candidatos: “este é simpático”; “aquele nunca se ri”; “não gosto da cara daqueloutro” ; e por aí…

Nada tenho a opor às apreciações que cada um faz e declara ou cala. Tenho, sim, que sejam ou possa ser determinantes na sua decisão de votar.

Sustento, e muitos me acompanham nesta posição, que a decisão de votar, de escolher, afinal, deve assentar na competência e nos valores que qualquer candidato comprovadamente defende.

Mais sustento, e aqui também não estou sozinho, que deveremos mais privilegiar a prática quotidiana do candidato do que os seus discursos de campanha.

Sustento ainda, e finalmente, que será sempre ideal questionar o candidato, de preferência em sessões de esclarecimento, porque as respostas que der às perguntas que lhe forem dirigidas serão matéria para reflexão e posterior decisão quando o eleitor for chamado a votar, isto é, a escolher quem considera mais apto para o cargo, seja cargo político ou outro qualquer.

Espero que o leitor não esteja propondo meditação sobre a inexistência de sessões de esclarecimento. Se for esse o caso, dir-lhe-ei que um candidato que se oponha a sessões de esclarecimento não terá o meu voto.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 7 de Setembro de 2014.