domingo, 22 de janeiro de 2017

11 - O MEU RIMANCEIRO * Sonho de Primavera!


(QUE VIVA O CORDEL!)








Quando tu acreditaste

que chegara a Primavera,

o medo gritou-te: espera!

e tu, confuso, esperaste.



Tiveste medo do medo,

do medo que te encarcera.

Foi porque tiveste medo

que perdeste a Primavera.



Depois, chegou o Verão,

muito quente, muito quente!

E tu, nessa lassidão,

dormias indiferente.



Quando acordaste, era Outono,

o tempo das azeitonas.

E tu, ainda com sono,

à modorra te abandonas!



Só quando em redor olhaste,

viste a paisagem mudada:

nua estava a débil haste,

no abandono desfolhada.



Ficaste sem entender

o que tinha acontecido,

como se pudesse haver

no não-ser algum sentido.



Hoje, nas águas paradas

do paul tentas sonhar

caravelas encantadas

sedentas por navegar.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 22 de Janeiro de 2017.




sábado, 21 de janeiro de 2017

20 - VENCENDO BARREIRAS * Urgência




Nesta encruzilhada global,

é urgente questionar.



Nesta encruzilhada global,

é urgente interpretar o Passado,

é urgente situar o Presente,

é urgente prevenir o Futuro.



Nesta encruzilhada global,

é urgente regressar à rosa-dos-ventos,

é urgente definir a rota,

é urgente enfrentar as borrascas,

é urgente dobrar o cabo da negação.



Nesta encruzilhada global,

é urgente recusar os feitiços dos cantos das sereias,

é urgente recusar as tentações,

é urgente evitar o naufrágio da perdição

é urgente dobrar outra vez o Cabo das Tormentas





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 9 de Dezembro de 2016.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

11 - O MEU RIMANCEIRO * A balança


(QUE VIVA O CORDEL!)







Põe os pratos na balança!

Pesa-me um quilo de pão

e dez gramas de esperança

para eu comer ao serão.



Põe os pratos na balança

e deixa a dança parar.

Se não parares a dança,

no peso vais me enganar.



Sei que de pobre não passo,

quer tu me enganes ou não,

enquanto tolhe o meu braço

a insana resignação.



Talvez este tempo mude,

porque a inércia não existe,

e eu podendo o que não pude

faça o que tu nunca viste.



E quanto hoje tão mal aprontas,

numa gula sem parança,

serão parcelas das contas

a pesar noutra balança.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo. 21 de Janeiro de 2017.




11 - O MEU RIMANCEIRO * O jumento



(QUE VIVA O CORDEL!)





Tão manso, sobe a ladeira! 

Manso, manso, mansidão! 

Vai à feira, vem da feira, 

leva ou traz a servidão. 



Sobre o dorso, pesa a albarda. 

Sobre a albarda vai o dono. 

Só a noite alta lhe guarda 

algumas horas de sono. 




No estábulo solitário 

espera a magra ração: 

é o mísero salário 

de quem vive em servidão. 




Cale-se a palavra gasta 

incensando a compaixão! 

De tantas loas já basta! 

É tempo de dizer não! 




E que venha o que vier 

na mudança anunciada! 

Traga a vida o que trouxer, 

sempre será outra estrada. 






José-Augusto de Carvalho 
Alentejo, 20 de Janeiro de 2017.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Em Tavira


Década de 60. Praia da Ilha de Tavira. O almoço.
O casal amigo Catarina e José Luís e seu filho e meu afilhado Paulo Eduardo.
e também  a minha Duze, nosso sobrinho e meu afilhado Henrique e eu.

*
Década de 60. Jardim Público de Tavira.
O meu saudoso Amigo José Luís (1934-1989) e Catarina, o seu filho
e meu afilhado Paulo Eduardo e a minha Duze (1935-2015)
*
Década de 60. Jardim Público de Tavira.
Catarina, seu filho e meu afilhado Paulo Eduardo, a minha Duze e eu.
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Década de 60. Tavira. *  A minha Duze.
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Década de 60. Ilha de Tavira.
Catarina, Paulo Eduardo, José Luís, eu e a minha Duze.
*
Década de 60. Praia da Ilha de Tavira.
A minha Duze no rebentar das ondas.
*

Década de 60. Tavira. Casa de meus sogros.
A minha Duze e o Fiel olhando o Séqua.
*
Década de 60. Praia da Ilha de Tavira,
A minha Duze e o sobrinho e meu afilhado Henrique.
*
Década de 80. Esplanada em Tavira.
A minha Duze e a sobrinha Ana Maria