quinta-feira, 24 de novembro de 2016

28 - CLAVE DE SUL * A barca linda






Naquela noite, uivava a ventania.

Nas vagas alterosas, arrepios.

À capa, a barca nova resistia

aos trágicos apelos dos baixios.



Na antiga sedução da perdição,

chegava a melopeia das sereias.

A barca nova, toda coração,

sente vertigens a correr nas veias.



O povo, mal desperto, acorre ao cais

e olha o negrume frio dos baixios.

Só entre dentes grita “nunca mais!”

e sente até à alma os arrepios…



Na frustração de nós persiste ainda

o sonho que ficou da barca linda!





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 24 de Novembro de 2016.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

28 - CLAVE DE SUL * Os versos da canção




CLAVE DE SUL

OS VERSOS DA CANÇÃO


Não sinto no meu peito anseios de partida.

Não sinto nos meus pés renúncias ancoradas.

Não dei a volta ao mundo, apenas dei à Vida

as rotações que pude e quis que fossem dadas.



Dei o que pude e quis --- o mais foi extorsão.

Pequenos mundos tem o mundo e várias sendas

varridas pelo ardor dos versos da canção,

sustidas p’lo torpor de milenárias vendas.



No meu entardecer, indócil adivinho

o ser a acontecer nos versos da canção.

Não retrocede nunca o rio o seu caminho

no ciclo natural da sua condição.



Eu não verei cumprir o ciclo da evasão,

mas sempre hei-de cantar os versos da canção.




 
José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 22 de Novembro de 2016.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * JOSÉ AUGUSTO


ÉVORA, 1958 * O SERVIÇO MILITAR

1994, DESEMBARCANDO EM CASABLANCA
ANOS 60, COM MEU SOBRINHO ALBERTO AUGUSTO
E O MEU ESTIMADO FIEL
NO GDCF, 1990. COM O ADVOGADO E MEU INESQUECÍVEL 
AMIGO JAIME BANAZOL SANTOS, QUE TÃO CEDO NOS DEIXOU.
1990, GDCF, COM O COLEGA ARMANDO JORGE

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * A MINHA DUZE


DUZE NA PRAIA DA ILHA DE TAVIRA, ANOS 60

O RISO FELIZ DA DUZE, NO GDCF, 1990

O OLHAR ATENTO DA DUZE

DUZE, AVÔ MANUEL PALMA, TIA E MADRINHA 
LUCÍLIA DAS DORES E TIO FILIPE SANTOS, 
TAVIRA, ANOS 60
1990, GDCF, DUZE RECEBENDO UM RAMO DE FLORES

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Na neve, Viana, 1954


Vista parcial de Viana do Alentejo, 4 de Fevereiro de 1954
Foto de João José Navarro y Rosa Soeiro, meu amigo de infância

*
Viana, 4 de Fevereiro de 1954. 
Do cimo de São Vicente, foto ao infinito, para Ocidente.
Foto de João José Navarro y Rosa Soeiro, meu amigo de infância.

*

Viana, Serra de São Vicente, 1954.
Em baixo, eu, à esquerda,, com neve nas mãos.


Eu, com 16 anos.

sábado, 12 de novembro de 2016

16 - NA ESTRADA DE DAMASCO * A minha mão...





Dizei-me, iluminados, onde fica

a terra decantada da utopia?

Eu quero ver a mão que modifica

o fel em mel, o choro em melodia.



Quisestes ensinar-me a boa nova

do lobo e do anho em paz pascendo juntos.

Aqui, onde a penar, do berço à cova,

de paz apenas gozam os defuntos.



Eu soube de Caim matando Abel!

Ainda quente o barro ao sol cozido…

O mel azedo transformado em fel

na mesa dos incautos é servido.



Soube também da pena de Talião…

…e mais e mais morrendo a utopia!

Que pode e que não pode a minha mão

para rasgar a treva e ver o dia?



Descubro, iluminados, que sou eu

quem vai além do barro à utopia!

Sou eu quem a si mesmo prometeu

e há-de cumprir o fim desta agonia.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 12 de Novembro de 2016.