sexta-feira, 18 de novembro de 2016

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * JOSÉ AUGUSTO


ÉVORA, 1958 * O SERVIÇO MILITAR

1994, DESEMBARCANDO EM CASABLANCA
ANOS 60, COM MEU SOBRINHO ALBERTO AUGUSTO
E O MEU ESTIMADO FIEL
NO GDCF, 1990. COM O ADVOGADO E MEU INESQUECÍVEL 
AMIGO JAIME BANAZOL SANTOS, QUE TÃO CEDO NOS DEIXOU.
1990, GDCF, COM O COLEGA ARMANDO JORGE

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * A MINHA DUZE


DUZE NA PRAIA DA ILHA DE TAVIRA, ANOS 60

O RISO FELIZ DA DUZE, NO GDCF, 1990

O OLHAR ATENTO DA DUZE

DUZE, AVÔ MANUEL PALMA, TIA E MADRINHA 
LUCÍLIA DAS DORES E TIO FILIPE SANTOS, 
TAVIRA, ANOS 60
1990, GDCF, DUZE RECEBENDO UM RAMO DE FLORES

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Na neve, Viana, 1954


Vista parcial de Viana do Alentejo, 4 de Fevereiro de 1954
Foto de João José Navarro y Rosa Soeiro, meu amigo de infância

*
Viana, 4 de Fevereiro de 1954. 
Do cimo de São Vicente, foto ao infinito, para Ocidente.
Foto de João José Navarro y Rosa Soeiro, meu amigo de infância.

*

Viana, Serra de São Vicente, 1954.
Em baixo, eu, à esquerda,, com neve nas mãos.


Eu, com 16 anos.

sábado, 12 de novembro de 2016

16 - NA ESTRADA DE DAMASCO * A minha mão...





Dizei-me, iluminados, onde fica

a terra decantada da utopia?

Eu quero ver a mão que modifica

o fel em mel, o choro em melodia.



Quisestes ensinar-me a boa nova

do lobo e do anho em paz pascendo juntos.

Aqui, onde a penar, do berço à cova,

de paz apenas gozam os defuntos.



Eu soube de Caim matando Abel!

Ainda quente o barro ao sol cozido…

O mel azedo transformado em fel

na mesa dos incautos é servido.



Soube também da pena de Talião…

…e mais e mais morrendo a utopia!

Que pode e que não pode a minha mão

para rasgar a treva e ver o dia?



Descubro, iluminados, que sou eu

quem vai além do barro à utopia!

Sou eu quem a si mesmo prometeu

e há-de cumprir o fim desta agonia.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 12 de Novembro de 2016.

domingo, 30 de outubro de 2016

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Os semi-deuses


1.

Todo o ser vivo, quando nasce, traz a certeza de que irá morrer. Porque assim é, a vida carrega a sua finitude. Não será destino nem sentença inexorável, será apenas da sua condição.

Não creio que esteja errado no que escrevo, mas, previdentemente, apelo: Vinde, amados mestres! Que caia sobre mim a correcção iluminada do vosso saber! E corrigirei feliz a evidência do meu mundo e da finitude que sempre vi, que sempre senti, que sei que me espera!...

Esta nossa condição de mortais demonstra-nos a efemeridade das nossas certezas, das nossas verdades, sempre modeladas conforme os condicionalismos redutores de quem não sabe nem poderá saber além do conhecimento existente e do conhecimento de um porvir próximo que pode enubladamente entrever.



2.

O curso milenar de um rio pode ser alterado por um qualquer inesperado cataclismo. E em segundos ou minutos o que era deixou de ser. O vulcão Vesúvio transformou a bela Pompeia numa cidade fantasma que podemos ver ainda. As convulsões na Natureza, ora destroem, ora criam e recriam na transformação constante de que nos falou Lavoisier.



3.

Hoje, de posse que estamos de poderes destruidores, um momento de raiva demente pode ser responsável pelo dedo que prime o botão que determina o fim de milénios de existência. E depois quem sobreviverá para contar a tragédia?

Hoje como ontem, há lampejos de florescências perfumadas e trevas de ansiedades e de medos.

Hoje como ontem, o tempo é de equilíbrios instáveis e de incertezas dolorosas.



4.

Os grandes do Pensamento vêm legando-nos obras-primas do Conhecimento.

Os grandes da Beleza vêm legando-nos obras-primas em todas as manifestações da Arte.

Os grandes da Ciência vêm-nos legando maravilhas que quase ofuscam o maravilhoso da fantasia.

E tudo isto faz ou parece fazer de nós semi-deuses.

Ah, mas são estes semi-deuses que continuam impotentes perante as erupções da vulgaridade, do obscurantismo, das vaidades e da jactância mais imbecil.

Ah, mas são estes semi-deuses que continuam impotentes perante as mesas sem pão, perante a inocência prostituída, perante a dignidade encarcerada, perante a palavra amordaçada, perante a Justeza reduzida a uma Justiça dispendiosa em demasia para dela se socorrerem os humilhados e ofendidos.

Ah, continua preponderante contra tudo e contra todos a verdade que li no poeta alentejano José Duro: “O oiro de um palácio é a fome de um casebre”.

Ah, de que valem as caridadezinhas, as «boas» intenções, os «bons» corações?

De que nos vale a perigosa recomendação bíblica “dá com a mão direita de modo que a mão esquerda não veja”? Que dar é este em segredo? Que dar é este senão aprovar a existência de quem pode dar a quem tem necessidade de receber? Que dar é este senão a confirmação de que «o oiro de um palácio é a fome de um casebre»?

Ah, que haja palácios, concedo, mas que nunca sejam erguidos pela fome dos casebres!



José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 30 de Outubro de 2016.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

03 - ESTA LIRA DE MIM!... * Soneto para Florbela Espanca




A mim me basta o frio que arrefeço.

E os dedos hirtos ficam caramelo!

Não temo nem contesto o meu regresso.

De pó, de cinza e nada não apelo.



Serei também um golpe do suão,

incêndio no vazio em movimento

gritando além de mim à solidão 

a nossa ardente condição de vento.



Iremos ver as sombras dos montados

e as limpas das espigas em promessa

mescladas de papoilas a sangrar…



Iremos às amoras nos valados

e que ninguém das hortas nos impeça

de nos amarmos ébrios de luar!...




José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 29 de Outubro de 2016.