terça-feira, 23 de agosto de 2016

sábado, 20 de agosto de 2016

14 - LITERATURA INFANTIL * O passarinho (esboço 2)



Esboço de cantilena infantil (2)



O passarinho




Olha o passarinho,

bate as asas, vai!

Salta do seu ninho

sem medo e não cai!



Bate bem as asas,

voa sobre as casas

como um avião.

Depois, de repente,

vai poisar no chão

mesmo à minha frente.



Quero-lhe pegar,

mas ele não deixa.

Ri da minha queixa

e volta a voar.



E eu não vou chorar

nem fazer beicinho

porque passarinho

é para voar.



Não tem de ter medo,

não é um brinquedo,

é vida a pulsar:

é livre e feliz

no céu a voar

como o pai me diz.




José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 20 de Agosto de 2016.

14 - LITERATURA INFANTIL * A papinha (esboço 1)



Esboço de cantilena infantil (1)

A papinha



A mãe

já vem,

está na cozinha

fazendo a papinha

da sua filhinha.



Menina não chora,

a mãe não demora.



O pai entretém

a sua filhinha

enquanto não vem

a mãe

trazer a papinha.



Olha que já vem

a mãe

trazendo a papinha

p'ra sua filhinha!



Depois da papinha,

vai para a caminha.



O sono já vem.

Quer dormir também,

com a menininha,

na mesma caminha.



A menina vai

ao colo do pai,

vai para a caminha,

não pode ir sozinha.




José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 19.8.2016.

domingo, 14 de agosto de 2016

03 - ESTA LIRA DE MIM!... * Dia outonal






O tempo voa célere na pressa



de entretecer futuros no presente!

Que juvenil loucura de promessa

esgota o devaneio de repente?




As rugas olho e as cãs da decadência

e dói um sobressalto no meu peito.

Por quê tanta loucura na premência

se o devaneio agora está desfeito?




Que tempo louco assim não se extasia

no olor primaveril do encantamento?

Que pressa pelo fim da fantasia?




Nos braços hoje estou do sofrimento,

agonizante folha da utopia

que voa efémera ao sabor do vento.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 15 de Agosto de 2016.

33 - NÓS POESIA * Nos versos da canção / Ao som de um feitiço



Nos versos da canção
Tuphy

Silêncios de magia haurindo este momento
Irrompem da penumbra, altar do esquecimento.


Dedilho a minha lira, em noites de luar.
E os versos da canção, de mel em seu dulçor,
Entoo devagar, num tímido cantar
Que vai além de mim, buscando o teu candor…


Ebúrnea, a Lua ensaia um cálido sorriso.
E eu fico, enfeitiçado, ousando perceber
O que há mais para além do mágico impreciso
Que agita docemente o meu acontecer.


E um novo amanhecer a Leste se anuncia.
Florescem arrebois nos versos da canção…
Ai, que feitiço antigo agora me inebria
E em fogo queima o meu rendido coração!



Al-Ândalus, 1 de Setembro de 2011


*****


Ao som de um feitiço
Amine
أمير المؤمنين

Aos versos da canção, uma estrela acordou,
 E a  sombra que pairava em meu olhar voou...

Foi tua lira e teu cantar de acordar astros
Que fez o meu anseio de soprar solfejos
Ventar na noite cálida, sobre teus rastros,  
Caminho de delírio onde danço desejos. 

No raro alvor, magia bordando ventura,
Suave a voz que me encanta e enfeitiça o horizonte.
Além de ti, mais nada. Nem essa lonjura
Apaga os sons do canto que me fizeste fonte.

E, quando o sol alçar seus primeiros rubores,
Os véus que cobrem de bemóis meu corpo e sono,
Nas mãos da manhã, senhora furta-cores,
A lira guardarão em saudoso abandono.


Porto Alegre/RS

01.09.2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

11 - O MEU RIMANCEIRO * A maçada


(QUE VIVA O CORDEL!)







Dos donos de tudo

aos donos de nada,

o perfil estudo

da carnavalada



É tempo de Entrudo.

Viva a palhaçada!

Só quem é sisudo

não acha piada.



Por que estou eu mudo

de guarda fechada?

Por que estou de escudo

temendo a estocada?



Não brinco ao Entrudo?

Não acho piada?

Ser assim sisudo

é uma maçada.





José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 23 de Dezembro de 1996.
Alentejo, 12 de Agosto de 2015.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

13 - NA PALAVRA É QUE VOU... * Por Portugal!




Nesta hora de angústia e tristeza, deixemos correr as lágrimas por esta nossa inditosa Pátria muito amada.

Que depois do pranto nos levantemos para apurar as nossas culpas.

As nossas culpas por termos chegado a mais este desespero.

As nossas culpas por termos permitido e por continuarmos a permitir uma vida de angústia e desespero.

As nossas culpas por tão mal amarmos e tão mal protegermos esta nossa Pátria.

Agora o fogo, criminoso ou não, que tudo devasta.

A par do fogo, outros males que tanto nos devastam...

Basta de «apagada e vil tristeza»!

Pelos nossos maiores, por nós, pela Pátria que vamos deixar de herança, saibamos , mais uma vez, dobrar o Cabo Náo!




José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 10 de Agosto de 2016.