quarta-feira, 16 de março de 2016

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Futebol


Jogando futebol

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Casamento de Felismina



Casamento da Felismina * 27 de Maio de 1973
Duze * Felismina * José Augusto

27 * ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Foto de Família


Tavira, cerca do ano 2000 * Duze e a prima Alzira

27 ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Foto de Família


Montalegre * Segunda década do século XX
Meu avô materno Hermenegildo Pereira, à nossa esquerda,
Administrador do Concelho de Montalegre, e o juiz da comarca
de quem desconheço a identificação.

27 - ÁLBUM DE RECORDAÇÕES * Foto de Família


Meus avós maternos Rosa de Jesus e Hermenegildo
Lisboa, cerca de 1950

terça-feira, 15 de março de 2016

33 - NÓS POESIA * Deslumbramentos




Da menina... depois, mulher
Lizete Abrahão


Sorri no tempo de menina deslumbrada, 
Depois fugi nas minhas noites indormidas; 
Nem um colo de mãe na cura das feridas, 
Nem flores a cobrir a fronte macerada. 

A minha fome de calor, sem ser saciada, 
Seguiu-me por auroras prenhes de tristeza; 
Um sonho que nasceu morreu sobre uma mesa
Em um farto banquete de taça esvaziada. 

Cresci sem saber ter infância ou afagos, 
Meus olhos de mocinha nem viram amores; 
O que me salvou foram todos os rubores 
Na face adolescida entre versos vagos. 

Que chama a minha vida teve a me queimar, 
Se de escuros dias se fizeram anos?
Vazios tecidos, lisos, cobriram-me os panos. 
Não há milagres sem amor...Sem linha bordar!? 

Da campa, a pedra se partiu, foi-se na lama, 
Das dores, renasceram, ébrios, meus caminhos; 
A Fênix me pariu, em gritos, entre espinhos, 
No verbo revelado, das cinzas à chama...

Olhei o mundo, tua imagem me acenando,
Vestido de milagres, meus desconhecidos...
Dos breus, brotei aos céus dos seres escolhidos,
Minha alma, nos sonhos e nas chamas, vôo alçando.

Agora somos um, bordados numa cor,
Em tela de cetim, destino foi artesão;
Teceu o pano com o fio de uma canção,
Composta pelo mestre da vida: o amor! 



Do menino ao homem 
José-Augusto de Carvalho


Meu tempo de menino! Em derredor de mim,
as mãos de minha mãe solícitas velavam...
No seu regaço de ouro, abelhas volitavam
em pétalas de mel forradas de cetim...

No meu olhar em flor raiava a primavera,
vagidos de candor, dulcíssimos gorjeios...
A fome saciei na vida dos seus seios,
o sonho adivinhei futuro à minha espera.

Cresci no seu amor. Meus olhos de menino,
dois círios num altar em sacrifício acesos,
ergueram desde o caos, na sublimação ilesos,
os elos siderais do assombro feminino.

Que chama a minha vida acende e me incendeia,
archote iluminando as trevas do caminho?
Milagre em sedução, bordada de carinho,
harpejos de candor, suave melopeia...

Doridos são os ais que traz a ventania.
Nublado está o céu, de nuvens carregado.
Procuro decifrar, no vento, o som magoado
que chega num apelo aflito de elegia.

Distingo a tua voz no encanto do feitiço.
Se desde sempre eu sei que, um dia, tu virias
vestida de manhã, amanhecer os dias
e dar ao meu inverno o derradeiro viço...

Agora, nunca mais, na noite, os pesadelos
ferindo, em seu doer, o sonho de te amar...
Agora só a paz das noites de luar
brincando nos anéis de luz dos teus cabelos.

Agora te revês nas minhas alegrias,
que todas, num florão, és tu numa aguarela,
a vida que saiu esplêndida da tela
como um manjar do céu sagrado de iguarias

33 - NÓS POESIA * Se...



Se...


Se tu chorares, quero ser o lenço

que enxugue as tuas lágrimas de sal...

Se me deixares, eu serei o incenso

ardendo em teu sagrado ritual...



Se uma palavra tua tu me deres,

dela farei a lei definitiva...

Se tu disseres não, que não me queres,

barca serei, nos mares à deriva...



Se o teu olhar descer em mim, amor,

mitigarás a dor da minha fome...

Se o meu olhar cegar no teu fulgor,

bendita seja a flor que há no teu nome...



Se fores, num poema, o meu delírio,

me deixa arder por ti, silente círio...



José-Augusto de Carvalho
Lisboa, Portugal




Se...



Se uma lágrima cair em uma taça de vinho

Ela se tingirá de vermelho ou dele fará sal

Se minha lágrima cair em uma taça de vinho

Vai sumir na cor e morrer no sabor celestial



Se uma palavra cair da boca contra o vento

Ela se fará brisa ou cantará na sua voz

Se minha palavra cair da boca contra o vento

Vai sumir no ar, morrer no seu canto veloz



Se um olhar cair da pálpebra em fundo lago

Ele será reflexo ou se verá firmamento

Se meu olhar cair da pálpebra em fundo lago

Vai sumir no reflexo ou morrer ao relento



Mas se um poema cair de mim na fantasia

Vai sumir em ti, em busca da poesia




Lizete Abrahão
Porto Alegre
Rio Grande do Sul
Brasil