quarta-feira, 1 de outubro de 2014

07 - CALEIDOSCÓPIO * Verificação




E assim estamos... Estamos?


E assim vamos... Vamos?

E o baile mandado continua!






José-Augusto de Carvalho
7 de Abril de 2006.
Viana*Évora*Portugal

07 - CALEIDOSCÓPIO * Interrogação





Saudade, alma portuguesa,

quando foi que te criou

esta pátria de incerteza?

Quando o sonho naufragou

e o sal da tua tristeza

os sete mares salgou?




José-Augusto de Carvalho
3 de Novembro de 2006.
Viana*Évora*Portugal

domingo, 28 de setembro de 2014

07 - CALEIDOSCÓPIO * Liberdade



Vem libertar-te em mim, 


vem dizer-me que o Fim


renasce sempre em ti!






José-Augusto de Carvalho
Setembro de 2014.
Viana * Évora * Portugal

sábado, 23 de agosto de 2014

02 - TEMPO DE SORTILÉGIO * Na palavra...




Saboreio os sentidos da palavra,

a palavra no verso da canção,

a subir, na tontura da evasão,

onde nada ou ninguém a cala ou trava.



A palavra que salta do papel

a ganhar-se papoila a mais vermelha!

E sangrando na cor, seduz a abelha

tão sedenta de pólen-raro mel.



A palavra que trémula floresce

nos nocturnos doídos da incerteza,

onde o verso recusa ser a presa

que, vergada, se rende e deliquesce.



A palavra canção e melodia

que se inventa nas pétalas da flor

e é o mel de dulcíssimo sabor

alentando a porfia cada dia…





José-Augusto de Carvalho
23 de Agosto de 2014.
Viana*Évora*Portugal

05 - IN MEMORIAM * O maltês




Foto internet, com a devida vénia




Só nos livros antigos encontro

a memória de ti, desencontro

do teu tempo e do meu, descaminhos

eriçados de náusea e de espinhos.



Nem existes nas vozes do cante!

Nem há vento suão que levante

tua sombra do chão, sepultada

nos caminhos de assombro e de nada.



Outros tempos --- tão velhos! --- chegaram,

porque os novos, quem sabe onde param?





José-Augusto de Carvalho
4 de Outubro de 2011.
Viana*Évora*Portugal

domingo, 3 de agosto de 2014

16 - NA ESTRADA DE DAMASCO * Condenação

Escultura de Rodin





Vestida de burel, entrevejo a manhã.

Nem luz e nem azul. Tão triste e pardacenta,

mal entra,

tão vaga e sem rumor, com pezinhos de lã…



Pela vidraça fria,

de lágrimas banhada,

apenas o palor duma melancolia

de orvalho desenhada.



Lá longe, a vida grita,

aflita…

Não há quem a socorra!

Que importa o sacrifício às portas do Jardim

e morra,

mais uma vez, Abel, a golpes de Caim?





José-Augusto de Carvalho
3 de Agosto de 2014.
Viana*Évora*Portugal