Mostrar mensagens com a etiqueta 30-...e contigo eu morri nesse dia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 30-...e contigo eu morri nesse dia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

30 - ...E CONTIGO EU MORRI NESSE DIA * Amor



Amor, por ti, eu dou a paz, o leite e o mel
e todas as demais delícias do Jardim!
Por ti, eu queimo os papagaios de papel
que podem permitir o descobrir-me em mim!

Por ti, sou o poeta amante, ausente e triste,
por quem tu choras, louca, as lágrimas mais puras!
Sou dentro de ti mesma o amor que em ti existe,
que sempre está contigo e tu sempre procuras...

Por ti, sou a fraqueza terna do menino
que só te quer a ti em noites breu de medo
e dorme em teu regaço um sono de pureza.

Por ti, sou a certeza e a fome do destino,
crescendo sem temer alturas de incerteza,
morrendo sem temer angústias de degredo...


José-Augusto de Carvalho
Viana*Évora*Portugal

sábado, 28 de setembro de 2013

30 - ...E CONTIGO MORRI NESSE DIA * Registo






Entardeço,


neste outono de fim



e de espera.



Hoje, só reverdeço



primavera



na saudade de ti e de mim.






José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 13 de Dezembro de 2010.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

30 - ...E CONTIGO EU NORRI NESSE DIA * Memória


Foto Internet, com a devida vénia.




Matei as pernas e os braços
em caminhos e trabalhos;
cortei laços, atei laços,
desbravei na vida atalhos.

Matei os braços e as pernas;
passei fome, sede e frio;
sonhei as doçuras ternas,
em horas de desvario.

Nas noites de escuro intenso,
que é quando o medo alucina,
embriaguei-me de incenso
e vi-te mulher menina!

Um dia vieste, enfim,
e a luz desceu sobre mim!...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 15 de Outubro de 1996.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

30 - ...E CONTIGO MORRI NESSE DIA * Princesa


Foto Internet, com a devida vénia.


Princesa, por direito, te apresentas
das terras que já foram da moirama.

De lendas de encantar te dessedentas...
Quando o real magoa, o sonho chama...

Miragens de esplendor --- o que nos resta?
Na decadência, dói a fantasia.
A farsa dos medíocres sempre em festa
delira nestas horas de apatia...

Na noite, alastra a sombra informe e vaga.
Sugere um impreciso estremecer
a brisa que desliza e mansa afaga,
instante em não deixar-me adormecer.

Princesa minha, viva que me chama,
além da náusea absurda desta lama...


José-Augusto de Carvalho
14 de Janeiro de 2012.
Viana*Évora*Portugal

domingo, 22 de setembro de 2013

30 - ...E CONTIGO MORRI NESSE DIA * Para além do Tempo




No princípio era o verbo... e Deus estava só!
Na graça da nudez, a terra seca, em pó...

Da fonte que mitiga a sede do infinito,
tirou um pouco de água e o pó dessedentou...
Da lama resultou o barro... e levedou!
Depois, foi só criar. Assim nasceu o mito.

Deste mistério santo, a carne é Deus e barro!
E o barro, que é de Deus, recusa os adjectivos.
É barro e nada mais. A graça que há num jarro
também lhe vem de Deus. Sem outros aditivos.

A débil mente humana é que perversa impõe
insólitas noções e o santo barro inquina...
Mas, ai, se a gente (im)põe, só Deus é que dispõe...
e uma graça de Deus só pode ser divina!



José-Augusto de Carvalho
16 de Março de 2002

Viana * Évora * Portugal

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

30 - ...E CONTIGO MORRI NESSE DIA * Meu amor!

Ceifeira, de Alberto Sousa
Foto Internet, com a devida vénia.


Quando a morte te levou,
não me quis levar contigo.
De ti, apenas, ficou
a saudade, onde me abrigo.

Ah, mas eu sei, meu amor,
que ficaste junto a mim,
sorrindo em cada flor
que alinda a nosso jardim.

E quando à noite olho os astros
--- ah, que fada está bordando
o lucilar dos teus rastros?... ---

eu sei, a todo o momento,
que tu me estás acenando
dos confins do firmamento.

  
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 6 de Agosto de 2011.

30 - ...E CONTIGO EU MORRI NESSE DIA * Desespero

Rodin - Foto Internet, com a devida vénia.


Na berma do caminho, só penares.
A pouco e pouco, vão morrendo as flores.
Não tenho mais girândolas de cores
nem mais o olor se evola pelos ares…

As horas me torturam nos vagares,
querendo infernizar as minhas dores.
E eu cedo, resignado, aos seus furores,
bebendo o fel salgado dos seus mares.

Perdido quanto amava, que me importa
que a noite escura apague o sol e a lua
e o nada bata instante à minha porta?

Agora, arrasto, só, de rua em rua,
o frio que, cortante, inda me exorta,
que em lágrimas lhe dê minh’alma nua…


José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 5 de Agosto de 2011.