Mostrar mensagens com a etiqueta 09-cantaremos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 09-cantaremos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de março de 2015

09 - CANTAREMOS * Balada de São Vicente







Do cimo de São Vicente

vejo o castelo de Beja,

quando um sol de estio ardente

ao inferno faz inveja.




Meus olhos mergulham fundo

na lonjura que me ganha.

Não há fronteiras no mundo!

Ninguém vive em terra estranha!




Ninguém vive em terra estranha!

Não há fronteiras no mundo!

Não lonjura que me ganha,

meus olhos mergulham fundo!




Nem pequenez, nem grandeza.

A dimensão verdadeira

que sopesa com firmeza

frágil mão duma ceifeira...




José-Augusto de Carvalho
8 de Março de 2006.
Viana*Évora*Portugal
*
Poema musicado por
Maria Luísa Serpa
2006, Viana

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

09 - CANTAREMOS * Balada de Viana

Foto Internet, com a devida vénia.


 
De Viana trago o canto

dos encantos do Alentejo,

desde o pão sofrido e santo

às açordas de poejo…



Trago o sol que doura a vinha

no calor do mês de Agosto

e o sabor que se adivinha

quase vinho, ainda mosto…



Quase vinho, ainda mosto…

Que sabor que se adivinha,

ao calor do mês de Agosto,

quando o sol nos doura a vinha!



Nas ribeiras há pardelhas;

Nas barragens, achegãs.

Estas terras, de vermelhas,

sangram todas as manhãs!...





José-Augusto de Carvalho
13 de Março de 2006.
Viana * Évora * Portugal

Música de Maria Luísa Serpa
2006, Viana

terça-feira, 10 de setembro de 2013

09 - CANTAREMOS * A barca esguia

Foto Internet,com a devida vénia


É agora o momento!...

Já mal lucilam os astros...

Segreda manso o vento

às velas ferradas e aos mastros...

Baloiça a barca esguia

num anseio azul de espanto!

Oh, Fado nosso, oh trémula ousadia

glauca que levanto

no pranto aflito das viúvas de vivos!

Barca esguia

de quantos sonhos cativos,

esta ousadia

de angústia e denodo,

irá ser, redonda, além, o mundo todo!




José-Augusto de Carvalho
 10 de Julho de 2009.
Viana*Évora*Portugal

Na música da ária «E lucevan le stelle...», da ópera Tosca, de Puccini.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

09 - CANTAREMOS * Hino

Hino a Senhora de Aires

Foto Internet, com a devida vénia



Senhora d'Aires, bendita
Senhora Mãe de Jesus,
que a minha oração aflita
encontre na Vossa luz
a salvação por que almeja,
agora e sempre. Assim seja!

Senhora dos campos ermos,
na Vossa Graça infinita,
velai os nossos enfermos,
valei à nossa desdita!

Senhora d'Aires, que a dor
dos deserdados da Vida
no Vosso manto de amor
encontre sempre guarida!

Senhora d'Aires, bendita
Senhora Mãe de Jesus,
que a minha oração aflita
encontre na Vossa luz
a salvação por que almeja,
agora e sempre. Assim seja!

No Vosso regaço, a luz
divina da salvação
nem ao martírio da cruz
recusou o Seu perdão!

Senhora na Dor Maior
de toda a Humanidade,
deixai que eu cante e que chore
Por tanto amor e piedade!

Senhora d'Aires, bendita
Senhora Mãe de Jesus,
que a minha oração aflita
encontre na Vossa luz
a salvação por que almeja,
agora e sempre. Assim seja!

***

Versos de José-Augusto de Carvalho
Viana, 6 e 7 de Maio de 2006.
Música de Maria Luisa Serpa

1ª. audição: Santuário de Nossa Senhora de Aires, na missa das 12 horas, em 24 de Setembro de 2006.

domingo, 8 de setembro de 2013

09 - CANTAREMOS * Saudade de minha Mãe

Foto Internet, com a devida vénia


Saudade, Mãe, que saudade
do teu regaço-meu ninho!
Eu fui, na tua verdade,
vertigem doutro caminho...



De olor e cor, fui a flor
mais linda do teu jardim...
Nem o génio de um pintor
criou uma flor assim...



Só na fragrância
do  meu altar de saudade
a minha infância
vive na tua verdade…



Ousando a Vida,
hoje, sozinho, caminho,
sem a guarida
já perdida do meu ninho.






José-Augusto de Carvalho
25 de Junho de 2006.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal
Música de Maria Luísa Serpa

09 - CANTAREMOS * Oh, minha terra!

Viata parcial de Viana do Alentejo
Foto Internet, com a devida vénia



Na minha terra,  já rareia o trigo.
Ermos os campos, dói a solidão.
Até o duro pão que, em sopas migo,
estranho, sabe à dor da emigração.

Oh, minha terra 
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão? 
Oh, terra
de sol e pão, 
quem nos desterra 
do pátrio chão?

Quando a saudade queima no meu peito,
os cravos secos gritam na memória!
Sinto, doendo, o sonho já desfeito.
Quem disse não ao rumo da História? 

Oh, minha terra 
de sol e pão,
quem nos desterra
do pátrio chão?

Oh, terra
de sol e pão, 
quem nos desterra
do pátrio chão?


   
José-Augusto de Carvalho
Julho de 2009.
Viana*Évora*Portugal

Na música da canção napolitana «O sole mio».

09 - CANTAREMOS * É a hora!

Foto Internet, com a devida vénia


Todo o tempo que porfia
sempre um novo tempo gera,
num afã que se recria
de perene primavera.

Porque a inércia não existe,
estar vivo é movimento,
na viagem que persiste,
a favor e contra o vento.

Vamos todos, sem demora,
neste não de ser refém
duma Torre da Má Hora
donde nunca vem ninguém!

Vamos, sem demora,
no tempo que é de nós,
vamos, é a hora
de termos voz!



José-Augusto de Carvalho
5 de Julho de 2009. 
Viana*Évora*Portugal 

(Na música da canção napolitana «Torna a Surriento»)

09 - CANTAREMOS * Horas de solidão

Torre de Menagem - Castelo de Viana do Alentejo
Foto Internet, com a devida vénia


Na torre batem as horas.
Nem viv'alma pelas ruas.
Amor, por que te demoras
e esta saudade acentuas?


No meu peito, dói a espera.
Um nó me aperta a garganta.
Não pode haver primavera
se o passarinho não canta.

Se o passarinho não canta,
não pode haver primavera.
Um nó me aperta a garganta.
No meu peito, dói a espera.

  
Nos campos não há trigais...
E sem trigo não há pão!
Meu amor, não tardes mais,
que morro de solidão!




Versos de José-Augusto de Carvalho
10 de Março de 2006.
Viana*Évora*Portugal
.
Música de Maria Luísa Serpa
Viana, 2006